Quinta-feira, Dezembro 30, 2010

Alguns desejos para 2011... uns mais utópicos do que outros.

Que Cavaco Silva comece a ser Presidente da República já que lhe vão entregar de bandeja 20 anos de poder quase absoluto em Portugal;

Que se o FMI vier, venha em Março, não em Outubro após concluirmos que falhou uma vez mais a estratégia do Governo;

Que os Portugueses sintam no bolso a aposta efectuada nas energias “verdes” cuja repercussão de um preço mais acessível se perde na demonstração de resultados da EDP ou é alocada ao pagamento de ultrazilionários prémios de gestão;

Que os "gestores danosos" da banca sejam punidos exemplar e definitivamente;

Que se liberalizem as drogas, se regulamente a sua distribuição e se reforcem as penas a quem persistir traficá-las, retirando o financiamento público milionário às clínicas com taxas de sucesso abaixo dos 10% (a maioria);

Que se implemente uma cultura de estabilidade, tranquilidade e disciplina no sector educativo;

Que o FCP continue a arrasar e o Hulk não seja transferido no Verão… nesta é mais fácil a primeira parte.

Terça-feira, Setembro 28, 2010

A alimentar sonhos há 117 anos

117 anos de um Porto com deslumbrantes riscas,
Uma máquina de sonhos azul e branca, tremenda, avassaladora,
Da mui nobre, o País, a Europa e o Mundo conquistas,
Com notável agressividade ganhadora,

És o orgulho tripeiro, um conceito, uma marca, uma Nação,
Assumes sempre o papel principal,
Desconheces o impossível, não aceitas um não,
Por isso deste o nome a Portugal,

Pões coragem onde ela escasseia,
Dás imagem ao que te rodeia e motivas os teus soldados,
A tua disciplina é clara e dura mas premeia,
Fazes adeptos leais como a Cidade loucamente apaixonados.

Obrigado meu Porto!

Alberto Lima
Sócio 14476

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Terça-feira, Agosto 10, 2010

Bom para Portugal, mau para os Portugueses?

A propósito do fantástico artigo sobre a produção de energia "limpa" em Portugal, deparei-me com um comentário que descreve bem a luta inglória anti-monopólios/oligopólios que tento travar nas frentes que estão ao meu alcance. Surge que esta situação é um exemplo claro de como é fácil ser Mexia e ter 3M€ de prémio anual. A propósito de termos cada vez energia mais cara encontrei este simples, mas magnífico comentário no NY Times:

"The problem with Portugal's path to clean energy, is it is rife with monopolistic privatized profiteering energy companies. It's really a feudalistic model, where regular people still have to purchase all their energy from big utilities. The prices have gone up because in spite of any economies that the green technology might present, monopolies have no interest in passing on any kind of savings to end users."

Qualquer um percebe isto.

E depois é
fácil.

Ninguém se indigna?

Quinta-feira, Julho 08, 2010

A lotaria por que Sócrates (des)esperava.

Gostei muito de ouvir Marcelo Rebelo de Sousa este Domingo na TVI. Concordo integralmente com as observações dele, designadamente aquelas que defenderam Carlos Queiroz e a utilização da Golden Share em ambos os duelos Ibéricos.

Se relativamente a Queiroz pouco há a dizer, fomos eliminados por uma super-equipa, Campeã Europeia e provavelmente a próxima Campeã do Mundo, só os "Tugas" teimam em não entender isso, no que diz respeito à Golden Share muito há a dizer.

Devemos começar por perceber, o que é ser Português? E tentarmos compreender o que é ser uma empresa Portuguesa? Daqui poderemos partir para a reflexão de uma empresa “Portuguesa”, com Espírito Santo no nome, e se nos deixa confortáveis com a sua Portugalidade. Ao pensarmos na facilidade com que o BES e a Ongoing queriam despachar a Vivo para taparem alguns buracos de curto prazo não resisto a pensar o que a Portugalidade significa para eles… e concluo, NADA. Hoje, a palavra em causa só pode ser utilizada por alguns Portugueses, cada vez menos, que dão significado às expressões honestidade, ética, honra.

Felizmente o Estado, mesmo gerido por mentirosos, permanece forte em Portugal, os neoliberais aproximam-se mas continuam longe – e mais afastados ficaram na minha opinião, e travou a entrega das melhores postas do bacalhau da PT aos nossos desesperados hermanos. Estes falsos irmãos, provavelmente com a bênção Real do Sapateiro, devem andar à procura de tudo o que mexe e possa trazer crescimento às empresas Espanholas a qualquer custo… mesmo ao custo de esmagar (ainda mais) a economia vizinha.

Em boa hora Sócrates vetou esta negociata. Vetou porque deu-se ao respeito. Vetou porque protegeu, sim protegeu (não devemos ter medo) a economia Nacional. É de lembrar que:

1) Os mais de 7 mil M€ oferecidos não significam quase nada para o País já que pouco seria reinvestido na nossa economia;
2) Os resultados da VIVO (via PT) significam alguma coisa para a economia Portuguesa... e a VIVO tem uma margem de crescimento gigantesca.

Os investidores ficam com medo do Estado Português? Não sei, talvez até ganhem confiança para investir numa economia menos volátil. E não é que a Telefónica já está disponível para negociar???

E que dizer das posições do BES? Esse banco "Português" que já derrubou governos e volta a demonstrar a sua verdadeira face. O Salgado ora é contra a Golden Share ora é a favor (tomando as posições em consonância com os seus interesses, digo eu). Que investidores terão confiança neste BES?

Finalmente, esta novela é um prémio de lotaria para quem menos merecia: O Engº técnico!

Quinta-feira, Maio 27, 2010

Histórico!!!

A única vez que participei num concuro deste género saquei esta pérola:

video

Realço o espectacular efeito do túnel introduzido no estúdio by Diogo. Julgo que o prémio era ir a um GP do Mónaco (o GG já se estava a colar) mas escusado será dizer que perdi para um concorrente muito pior... também há tuneis nestes concursos...

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Diogo Lima


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Terça-feira, Novembro 24, 2009

Bairros críticos, Cidades desequilibradas, País injusto.

Não me quis repetir, pronunciar, nem lançar ainda mais ruído sobre a questão do bairro do Aleixo antes das eleições, porque mesmo deixando de ter responsabilidades políticas nos próximos dias, iria certamente ser mal interpretado. Entendo que agora, passadas as emoções eleitorais, existe novamente espaço para deixar um último contributo nesta matéria.

As temáticas sociais são um tema de profundo aproveitamento político. Propositadamente ou não, os agentes políticos acabam por tomar decisões e posições em função dos momentos eleitorais. Por isso, saudei a postura do Dr. Rui Rio ao remeter a decisão sobre o futuro do bairro do Aleixo para o acto eleitoral. Dessa forma puderam todos, uma vez mais, discutir a questão dos bairros problemáticos, numa reflexão e análise do paradigma de desenvolvimento que carece de acção, mudanças radicais, e de efectivas medidas de fundo, um pouco por todo o País. E a proposta foi sufragada pelos Portuenses.

Os compromissos.

No que diz respeito aos últimos oito anos de gestão autárquica, na Freguesia de Lordelo do Ouro e na Cidade do Porto, sinto que devo explanar alguns factos incontornáveis que espelham a realidade do bairro do Aleixo.


Em 2001 as candidaturas do PSD à Câmara e à Junta comprometeram-se em não demolir o bairro. E porquê? Por desconhecimento das variáveis envolvidas e, principalmente, por se tratar de um tema novo e não debatido. Lembro que na altura não havia qualquer projecto pensado, apenas sim uma intenção pública de demolição por parte do Eng.º Nuno Cardoso, substituto do Dr. Fernando Gomes na autarquia.

Em 2005 prometi que lutaria, durante este mandato, para apresentar uma solução para o bairro do Aleixo. A Câmara apresentou uma. Não foi ao encontro da minha sugestão - entretanto decalcada descaradamente pela CDU - que passava por construir um pequeno bairro no mesmo local, que alojasse prioritariamente os residentes mais antigos. Esta população, maioritariamente oriunda da Ribeira/Barredo, foi deslocalizada há mais de três décadas com a promessa de regresso à origem pelo que, principalmente os mais antigos, deveriam ter a oportunidade de não estarem sujeitos a nova desinserção social. Mas, mesmo não tendo respondido cabalmente aos meus apelos, a proposta da Câmara do Porto apresenta uma oportunidade histórica. Uma oportunidade para os moradores, para a Freguesia e para a Cidade.

Demolir porquê?

Para concordarmos com a decisão de demolir o Aleixo basta termos noção do esforço anual que os contribuintes fazem para manter o bairro de pé. Quando se diz que nos mandatos do Dr. Rui Rio nada lá se fez não se está a falar verdade. Foram encerradas as cinco entradas (conforme compromisso da Junta), foram colocadas plataformas elevatórias para acesso de Cidadãos portadores de deficiência motora nas cinco torres, foram efectuadas obras gerais nos patamares, retiradas as 3º mundistas condutas de lixo, instalado um sistema de incêndio e colocados molocs no bairro. São, ademais, reparados e substituídos numa base regular, elevadores, máquinas dos elevadores, portas, vidros, comandos e outros equipamentos de suporte. Tudo isto importa um encargo abissal para o Município.


Os bairros deste tipo são resultado de um modelo de desenvolvimento errado. O Estado, do ponto de vista social, abandonou estas populações. Apoia conjunturas mas não investe numa estrutura sólida de desenvolvimento. No Aleixo já existiram dezenas de projectos sociais. Ponto de situação hoje: Mais de 60% da população é beneficiária do RSI. Estruturalmente beneficiária. Impunham-se portanto outras estratégias, mas há falta coragem e rigor dos políticos Portugueses e também das dezenas de nomeados para gerir entidades e projectos que não apresentam resultados nem mudanças de fundo. Não quero com isto dizer que não haja mérito em diversas intervenções de apoio social lá realizadas ao longo dos anos. Desde a Associação de Moradores, à Junta de Freguesia, à Agência para o Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro, entre outras, muitos foram, e são, os esforços directos e indirectos do Estado para ajudar uma população que se encontra abandonada. Mas esses não deixam de ser esforços de minimização de danos.

E quando se diz que o Aleixo é um problema de polícia? Lamento, mas digo-vos que não é! Nem o tráfico de droga é um problema de polícia… O tráfico de droga é um problema social. Nada irá mudar enquanto o paradigma internacional para a gestão do problema do tráfico de droga se mantiver. Portugal é só mais uma das muitas vítimas. Podemos esconder os nossos bairros mais problemáticos mas eles permanecerão bem activos, e sempre nos locais mais propícios.

Estes bairros são também um projecto falhado do Estado do ponto de vista urbano. Mereciam ter tido diferente planeamento. Sem regionalização não temos descentralização e os recursos das Câmaras Municipais são insuficientes para recuperar ou demolir, per si, um bairro destas dimensões.

A oportunidade.

Então, porque considero esta uma oportunidade para os moradores, para a Freguesia e para a Cidade?

É uma oportunidade para os moradores porque vão libertar-se de um estigma. Vão ganhar novos horizontes. Irão, conforme compromisso assumido pela Câmara, ver o problema habitacional do seu agregado familiar tratado de uma forma personalizada. Não haverá uma solução igual para todos. Será uma solução concretizada (dentro do possível) à medida da vontade de cada agregado que esteja sim em condições de ser realojado, designadamente cumprindo os critérios de alojamento Municipal vigentes. Disponibilizei, oportunamente, a colaboração do Gabinete de Mediação de Conflitos de Lordelo do Ouro (o primeiro do género no País), para assessorar o processo e as negociações do realojamento dos agregados familiares, numa óptica de avaliação das necessidades e preferências de cada um e posterior entendimento. Estou certo que a minha sucessora fará o mesmo.

É, também, uma oportunidade para a Freguesia porque verá regenerado um tecido urbano degradado, inestético e problemático do ponto de vista urbanístico e social.

É, finalmente, uma oportunidade para a Cidade do Porto mostrar ao País o que deve ou não ser a habitação social em Portugal. A excessiva concentração e dimensão da habitação social, aglomerados de população com necessidades sociais diversas é uma estratégia calamitosa. Muitos Concelhos em Portugal persistem em construir, construir, construir. Concentram, concentram e concentram problemas pelo que este debate está para durar. A Cidade do Porto poderá dar aqui um contributo exemplar dado que é uma das Cidades com maior percentagem de população a residir em habitação Camarária.

O Futuro.

Estamos numa fase da nossa vida comunitária em que a palavra social enche muitas bocas. Esta palavra serve para justificar despesas e receitas. Mas é preciso praticar, não apenas anunciar. Hoje assisto pasmado a discursos que atacam as ajudas sociais. Sei bem das fraudes que existem no RSI ou no subsídio de desemprego. Mas também vejo fraudes no IRS, no IVA, no IRC, vejo a banca a pagar menos de 10% de IRC numa altura de crise e “solidariedade”. Vejo as tabuletas dos preços dos combustíveis iguais do Porto a Lisboa enquanto as autoridades juram não existir cartel. Vejo subsídios distribuídos a empresas e empresários sem grande critério nem exigência. Vejo as indemnizações milionárias a continuar… Temos de praticar a ética transversalmente. É obrigatório responsabilizar e punir os incumpridores transversalmente. É preciso ajudar quem precisa transversalmente. Temos de ser um todo ao serviço de todos. E devemos saber fazê-lo sem dogmas. Vivem no bairro do Aleixo Portugueses bons e simples. Idosos, reformados, jovens sem perspectivas, mães menores, famílias numerosas, profissionais estigmatizados e desempregados estruturais que merecem a oportunidade de serem Portugueses de pleno direito. Para que isto possa acontecer temos de apoiar e praticar efectivamente políticas de equilíbrio e justiça social.

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